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Cirurgia das Vias Lacrimais

Lacrimejamento constante nem sempre é alergia. Conheça a investigação das vias lacrimais e os tratamentos: sondagem, intubação e dacriocistorrinostomia.
Realizando Plásticas Oculares
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Imagem de cabeçalho para artigo sobre cirurgia das vias lacrimais com paleta de cores em tons terra

Lacrimejamento Não é Diagnóstico Dra. Ana Buhler

Quem convive com o olho lacrimejando o tempo todo costuma chegar ao consultório depois de uma longa lista de colírios. Antialérgico, lubrificante, anti-inflamatório — e a lágrima continua escorrendo, borrando a visão, obrigando a secar o rosto em reunião, no trânsito, na frente das pessoas. O incômodo é constante e a explicação, quase sempre, não está na produção de lágrima, e sim no caminho que ela deveria percorrer para sair.

A lágrima é drenada por um sistema pequeno e sequencial: ela entra por dois orifícios na margem das pálpebras, os pontos lacrimais, percorre os canalículos, chega ao saco lacrimal e desce pelo ducto nasolacrimal até o nariz. É por isso que chorar escorre o nariz. Se qualquer ponto desse trajeto estreita ou fecha, a lágrima transborda pela pálpebra. Quando a obstrução é baixa, no ducto, a secreção pode se acumular no saco lacrimal e infeccionar — quadro chamado dacriocistite, que se manifesta como dor, vermelhidão e inchaço no canto interno do olho.

Nem todo lacrimejamento vem de obstrução, e é aí que o diagnóstico faz diferença. Olho seco provoca lacrimejamento reflexo — o olho ressecado produz lágrima em excesso de forma intermitente. Alergia, blefarite, cílio raspando na córnea e pálpebra mal posicionada também causam epífora, cada um com tratamento próprio. Operar a via lacrimal de quem tem olho seco não resolve a queixa. Por isso a avaliação inclui exame da superfície ocular, das pálpebras e dos pontos lacrimais, além de teste de irrigação e sondagem diagnóstica para localizar a altura exata da obstrução.

Em adultos, quando a obstrução é confirmada no ducto nasolacrimal, o tratamento é a dacriocistorrinostomia, cirurgia que cria uma nova comunicação entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, contornando o trecho bloqueado. Ela pode ser feita por via externa, com incisão discreta na lateral do nariz, ou por via endonasal, sem cicatriz na pele. Em obstruções parciais ou canaliculares, a intubação com stent de silicone temporário pode ser suficiente.

Cada técnica tem indicação, tempo de recuperação e taxa de sucesso próprios, discutidos antes da decisão.

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Agende uma avaliação das vias lacrimais para localizar onde está a obstrução — se for esse mesmo o problema.

PROCEDIMENTOS LACRIMAIS

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Traga a lista de colírios já usados e por quanto tempo, relatórios de cirurgias oculares ou nasais anteriores e exames recentes. No caso de bebês, anote desde quando o lacrimejamento começou e se houve episódios de secreção.

Dúvidas Frequentes

Não. Olho seco, alergia, blefarite, cílio raspando na córnea e pálpebra mal posicionada também causam lacrimejamento — e o tratamento de cada um é diferente. Curiosamente, o olho seco é uma das causas mais frequentes de lacrimejamento reflexo. A investigação com exame da superfície ocular, das pálpebras e teste de irrigação é o que separa uma coisa da outra.
Na maioria dos casos, não de imediato. A obstrução congênita do ducto nasolacrimal é comum em recém-nascidos e boa parte se resolve espontaneamente ao longo do primeiro ano de vida, com massagem orientada e higiene. A sondagem é considerada quando o quadro persiste além do período esperado ou quando há infecções de repetição. A avaliação define o momento.
É a cirurgia indicada quando a obstrução está no ducto nasolacrimal. Ela cria uma comunicação direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, permitindo que a lágrima volte a drenar por um caminho novo. Pode ser realizada por via externa, com incisão discreta na lateral do nariz, ou por via endonasal, sem cicatriz aparente. A escolha depende do caso.
Na via endonasal, não há incisão na pele. Na via externa, a incisão fica na lateral do nariz e costuma cicatrizar de forma discreta, mas cicatrização é resposta individual e varia conforme pele, idade e cuidados no pós-operatório. As duas vias têm indicações próprias, e a escolha considera a anatomia, a causa da obstrução e cirurgias prévias.
Merece avaliação rápida. Dor, vermelhidão e inchaço no canto interno do olho podem indicar dacriocistite, a infecção do saco lacrimal secundária à obstrução. O quadro agudo costuma exigir tratamento clínico imediato, e a correção cirúrgica da obstrução é programada depois que a infecção é controlada. Não é situação para esperar passar sozinha.

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